quarta-feira, 14 de julho de 2010

Pátria? Patriotismo?



























Não me odeiem depois desse texto, por favor.
É complicado falar de uma coisa que é indiferente para mim.
Apesar de concordar com o que o Mandag disse, ainda tenho mais algumas coisas a dizer.
Pátria? O que é Pátria?
Pra mim é só mais uma forma que o ser humano encontrou para segregar. Posso estar completamente errada, mas é apenas a minha opinião.
Que outra forma você me explica o preconceito com argentinos? Sim, esse “ódio” por argentinos, para mim, é apenas mais um tipo inútil de preconceito. E o grande preconceito que moradores de países subdesenvolvidos sofrem? Não há como negar que isso acontece.
Por isso para mim é apenas isso, uma forma de segregação.
Não, eu não devo amar a pátria, nem amar a seleção brasileira, ou amar o samba, o carnaval e as festas juninas. Eu nasci no mundo, e essa sim é minha pátria, não um pedaço de terra com fronteiras e um nome qualquer.
Acho interessante a nossa cultura, como também acho interessante a cultura de outros países.
Não acho que o Brasil não tenha bons autores, musicistas e outros tipos de artistas. Aliás, aqui temos ótimo artistas, que devem receber nossa atenção.
Temos Tom Jobim na Bossa Nova, por exemplo, Mutantes, Cazuza e Raul Seixas no rock. E muitos outros artistas excepcionais. O brasileiro tem várias opções, e ótimas opções, a seu dispor.
Na literatura também temos grandes nomes como Clarice Lispector, Machado de Assis, e muitos outros, se eu fosse citar todos ficaria a noite inteira aqui.
Portanto não concordo quando dizem que a nossa cultura é ruim. O que eu na verdade eu concordo é que a cultura que a mídia “vende” é ridícula. Quero dizer com isso que: essa cultura de termos o país do carnaval, samba e futebol é apenas mais uma imagem criada pela mídia.
Falei demais sobre cultura e pouco sobre patriotismo, mas falei tudo isso pra chegar a um ponto. Queria mostrar que temos do que nos orgulhar, mas porque não nos orgulhar pelas belas coisas que outras pessoas de nacionalidades diferentes também fazem? Apenas porque ela nasceu em outro país? O que faz com que nós não nos orgulhamos de um escritor inglês, e porque um estrangeiro não pode se orgulhar de uma obra brasileira? Tudo isso nos é imposto com a idéia de patriotismo.
Eu me orgulho de Cervantes pela bela obra que um dia tive nas mãos, como também me orgulho de Sir Arthur Conan Doyle por ter escrito Sherlock Holmes. E porque não me orgulhar?
Me orgulho também pelas ótimas obras brasileiras, pelas belas canções brasileiras, mas não por serem brasileiras, e sim por serem boas.
Patriotismo é uma palavra que, há um bom tempo, eu exclui do meu dicionário.
Por mais ridícula que seja, é apenas uma opinião.

4 comentários:

Mandag Súlimo disse...

Gostei do texto, apesar que acho sua visão do assunto utópica, assim como a proposta de Marx anos atrás, ideal, porém, irrealizável.

Enquanto não formos capazes de alterar essa situação, (e acho que nunca seremos, justamente pelas diferenças culturais) teremos que aceitar as pátrias e suas divisões estabelecidas, e aprender a viver com elas.

Sneonzeit Dämmerung disse...

Não achei sua opinião ridícula ou te odiei depois desse post... =P

Wesley Souza Brandão disse...

Como fazer o establishment parar?
Talvez assim deixamos esse lado utópico e passamos a viver em um mundo e não em um pedaço de terra.

Gostei da sua opnião e aceitei bem. ^.^

Heluiza Bragança disse...

Não achei sua opinião ridícula ou te odiei depois desse post... =P - 2

Eu concordo com você em alguns aspectos como o que o sentimento de patriotismo parece vigorar mais quando há um inimigo de outra fronteira territorial... Isso é em qualquer país, acho patético isso, sinceramente, mas não ligo isso ao patriotismo, ele é usado como se fosse, mas é só uma desculpa para focar a raiva em algum "inimigo em comum". É ridículo.

Sobre se orgulhar de música etc achei um ponto legal de se orgulhar de qualquer música, livro etc, que você se identifica independente da pátria simplesmente por ser um "cidadão do mundo", mas não acho que pode ser algo imposto, o sentimento de orgulho simplesmente vem, acontece do nada, não é racional.

Incentivar o desrespeito por algo que não seja nacional aí sim... é bem racional e praticável x.x