domingo, 11 de julho de 2010

Fases da Vida: Renascimento

Vou explicar mais ou menos uma fase da minha vida pautada em música. Essa fase resume todos os meus gostos e afazeres de hoje, a mais bela prova que nós somos resultados de nossos atos e escolhas passadas.

Mais ou menos em 2001. Eu tinha 13 anos e estudava na 8ª serie. Todo mundo ouvia isso:

Eu, para desespero da minha mãe, ouvia isso:



Vocês podem achar engraçado eu tratar o assunto "Renascimento" quando deveria falar das fases da vida.

Mas acompanhem comigo a estrofe que faz todo sentido no que estou tentando passar pra vocês:

A leader, a learner
A lawful beginner
A lodger of lunacy
So lucid in the jungle
A helper, a sinner
A scarecrow's agonyzing smile

Nessa fase que nós queremos mesmo ser heróis. Ser alguém no meio da multidão e chamar a atenção. Imaginamos-nos com super poderes e pegando todas as menininhas da escola. Talvez por causa disso queiramos ter atitudes que nos mostram como somos especiais, de como temos algo que nos tornam admiráveis perante as outras pessoas. Muitos de vocês podem discordar, mas o motivo principal da busca dos refúgios comuns da vida adolescente (álcool, drogas, cigarro, heavy metal, mais drogas) precedem dessa doutrina. Todas as pessoas que me passaram esses CDs e me enfiaram nesse mundo liam muitos livros, tocavam instrumentos, falavam mais de uma língua, jogavam aqueles jogos que usavam mais de 1 CD (vulgo os final fantasy) e entendiam de tudo sobre o que, uns anos depois, conheceríamos como digitalização de informação (aquela mesmo, a informática). Eles não eram nenhum cavaleiro do zodíaco, mas tinham enormes super poderes. Esses sim me traziam a admiração. Mas o que me fazia pensar que com isso ia pegar todas as menininhas da escola ou fariam os caras te acharem o Chuck Norris?


(não que fosse legal parecer ele, naqueles anos ele era só o personagem do texas ranger xD).

Aqui vemos outro choque cultural que essa fase nos proporciona: nem sempre o que traz admiração a nós admira a nossa volta. Resumindo, a multidão não está nem aí se você fala 2 línguas ou se você lê livros. Ela que saber quantos gols você faz na educação física (que, aliás, praguejava por existir, porque o maldito professor ganhava dinheiro à custa de dar uma bola e ficar assistindo os outros jogarem). A profissão mais almejada depois de "jogador de futebol" era, adivinhem, professor de educação física. Por querer mostrar o quanto você é "legal" por NÃO ser assim, você acaba sendo o "babaca". A reação foi adversa, afinal, o maior problema de ser um idiota é não saber que é um. Ao contrario de hoje (SIM, isso acontece nos dias de hoje), a cultura "cult" nunca foi parâmetro pra ser legal. Brigava com a sala até pra frase da camiseta da 8ª serie (que aliás, foi um lixo e eu não comprei, xingava o governo quando na verdade os chimpanzés eram eles mesmos, coniventes com a progressão continuada)

Estou abordando essa fase em especial pelo retro de ontem que eu tive ao ver o show do angra em Araraquara. Foi como ouvir Rebirth pela primeira vez. A Lawful beginner.

Abraço e espero que tenham gostado!

Escrito por,

Willian Brandimarte - Analista Implementador
e-mail/msn: gattsreturned@hotmail.com

5 comentários:

Larissa disse...

Posso dizer que até me identifiquei, mesmo não ouvindo Angra.
Eu era a estabanada que não jogava nada de vôlei, que fazia várias visitas à biblioteca todas as semanas, e só não era a babaca da turma porque sempre passava cola pra sala inteira (sim, eu sempre fui uma boa pessoa).
Ouvia rock, e mentia para as pessoas me "aceitarem", enquanto perto dos outros eu fingia gostar de outras coisas, em casa eu me jogava no rock. Sim, eu agia como uma verdadeira idiota, mas como agir diferente quando se tem 11, 12, 13 ou 14 anos? Quando você é a unica que pira com Beatles e Engenheiros do Hawaii? Aliás a maioria dos meus amigos na época nem sabiam quem era Engenheiros do Hawaii e não entendiam porque eu perdia madrugadas inteiras devorando livros.
Meu comentário ficou um pouco grande demais =p

Mandag Súlimo disse...

Gostei muito do post, agradeço enormemente pela colaboração. Eu me identifiquei bastante com a comparação de gostos musicais hehe, eu sempre tive um gosto bem eclético, apesar de sempre divergir da maioria.

E a parte de pegar todas as menininhas hehe, no começo eu era um fracasso, não conseguia entender porque elas gostavam dos caras mais idiotas e que só curtiam tirar sarro da cara dos outros. Nunca gostei desses caras, e nem das pessoas que gostavam deles, acho que por isso com 15 anos eu ainda era um completo viciado em video-game e não ia a festa alguma lol.

Wesley Souza Brandão disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sneonzeit Dämmerung disse...

Ótimo post! Passou bem o tipo de realidade que passou.
É, valores populares sempre serão baseados em conquistas mundanas, bases fracas, e conteúdo pobre: Futebol, Restart, Calípso, o "pegador da turma", o palhaço, e bebados engraçados em festas. Sempre fui contra esse tipo de valorização, sempre evitei e nunca fiz o mínimo esforço pra ninguém notar o que acho. É claro que com isso você é taxado de "babaca", a questão é achar relevante essa opinião dos outros, já que, se não se garante nem em sua filosofia, qual tua identidade?

OBS.: Briguei contra a camiseta da 8ª série, não usei nenhum dia, e continuo achando festas jovens toscas. :p

Milena P. disse...

haa era tudo o que precisava dizer : )
Mas você disse da maneira certa, eu "xingaria muito" tipico de uma adolescente, fumante, alcoolatra, rockeira e revoltada ! haha
mas sabe nunca liguei de ser a "babaca" ou a "esquisita" (como me rotulam) sempre me senti diferente, e eu sei que é essa minha "diferença" que me fortalece : )

Muito bom o texto, Parabéns !