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domingo, 18 de julho de 2010

Eu não sou patriota, preciso ser?

Não sei se sou patriota, nem se quero ser. Não sei porque, mas essa palavra sempre me remete a um certo nível de fanatismo, de intransigência. Talvez por isso o brasileiro não seja tão patriota assim. Porque nós somos flexíveis, pelo menos boa parte de nós. Acolhemos bem e até mesmo com prazer culturas que nos são alheias, afinal somos resultado de inúmeras misturas. Mas gostamos de morar aqui, apesar de tudo. Nossos problemas estão aí a nossa vista, todos sabemos, nem vou enumerá-los. Mas problemas há em qualquer outro lugar, porque somente nós seríamos privilegiados de não tê-los?

O que nos faz gostar daqui creio que seja um sentimento comum a qualquer ser humano: gostamos de pertencer a algum lugar. Um evento interessante é o Brazilian Day, em Nova York. Eu não sei se o 1,5 milhão de pessoas que vão lá são patriotas. Acho que não são, afinal deixaram o seu tão amado país para buscar uma vida melhor. E com desemprego, viôlencia, déficit educacional, etc, etc, quem vai culpá-los? O que será então que explica o fato de que 25 quarteirões da Rua 46 em Nova York fiquem verde e amarelo?

Brazilian Day 2009 - fonte: http://www.brazilianday.com

Patriotismo, ideologia, nacionalismo, nada disso explica o Brazilian Day. Outra palavra talvez explique: saudade. E só sentimos saudade do que gostamos, do que nos fez bem. Do cafezinho quente de manhã, com margarina e pão. Do futebol e do vôlei jogados no meio da rua, com a turma da vizinhança. Do feijãozinho diário, cobrindo o arroz onipresente. Da família, de uma referência, dos amigos. Saudade do seu cantinho no mundo, daquele lugar, onde bem ou mal, se nasceu.

É, isso não é ser patriota. É ser apenas humano. E será que precisamos de patriotas mesmo? De gente cegamente devotada? Incapaz de ter a mente aberta a qualquer coisa que não pertença a seu mundinho? Acho que precisamos mesmo é de apaixonados, de pessoas que se enamorem do Brasil e por isso mesmo cuidem melhor dele. Que procurem fazer o melhor, independente de vantagem ou lucro obtidos. E isso nem precisa ser com gestos grandiosos, basta apenas tratar com um pouco mais de carinho e respeito essa nossa terra, às vezes nem tão “mãe gentil”.

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Este post foi escrito pela Cátia Ana Baldoíno, criadora do Diário de Vírginia. O responsável pelo tema da semana precisa convidar alguém para escrever o post de domingo e, assim, o fiz com a Cátia e ela gentilmente aceitou.

Gostaria de agradecer não apenas a ela, mas a todos os adulterados que fizeram posts bem legais sobre Patriotismo. Espero que quem acompanhou os posts essa semana gostou de ler as diversas opiniões dos posts.

E que venha agora o tema da Wodan Lane. :)

sábado, 17 de julho de 2010

Grande Pátria desimportante



Olá pessoal esse é meu primeiro post , portanto se ficar ruim , detonem , se ficar bom , elogiem , se gostarem obrigado, se não gostarem fodam-se (zuera).




Bom, falar de patriotismo na minha opinião é um pouco complicado justamente porque o país em que vivo não é o foco da minha paixão, bom aí você diz:
Então quer dizer que você não gosta do país que nasceu e que cresceu e que mora até o presente momento?

E a resposta é:

Não, na verdade eu gosto, e muito, e posso dizer que moro num dos lugares mais privilegiados do mundo; mas mesmo assim como não poderia deixar de enunciar o tema mais decorrente e fresco na cabeça das pessoas, que é... Futebol é claro:

Pois bem, narremos o fato ocorrido na copa do mundo de 2010, pra variar o Brasil sempre segue como expectativa principal (
aff sempre assim), porque os brasileiros torcem pra um time que não está jogando bem, não está a fim de mostrar o futebol show, e mais, não tem qualidade, apenas estrelas, onde muitas delas não brilharam em campo...Ok não entendo de futebol, na verdade não sei nada sobre esse assunto porque não influi em absolutamente nada na minha vida (não que eu saiba pelo menos), mas não precisa ser mestre em quesito verdade na frente da sua cara não é?

Vimos que o Brasil jogou, bem em alguns momentos, surpreendeu em alguns lances e posso até dizer, que impressionou aos fanáticos de plantão retirando suspiros de quase, e gritos de gol.

Tudo bem então, mas uma coisa é torcer por um time e se julgar patriota por estar vestindo a camisa e indo ao estádio ou frente à TV que seja, e ao mesmo tempo malhar aqueles que torcem por outros times não pertencentes ao seu berço natal; por exemplo, eu sei que não entendo de futebol, mas coincidentemente fui inteligente o bastante para participar do famoso bolão na minha turma na universidade e “com todo meu conhecimento”, apostei na vitória da Espanha que por sinal foi a vencedora, ou seja, não precisa ter muito o que saber pra se ter palpites fortes de que alguém está bem ou mal nos jogos (
e não sou o polvo tampouco).

Então porque eu não coloquei o Brasil como campeão eu não sou patriota, eu não acredito no meu país?

Eu posso dizer que pra mim a copa acabou quando o Japão perdeu, primeiro porque eu estava torcendo por Japão mesmo sabendo que era um time não muito habilidoso e que raramente iria se classificar, e confesso me impressionar muito pelo resultado alcançado por eles, depois que eu estava seguindo meu raciocínio no bolão pra que minhas conclusões se confirmassem, e torcer pro Japão era mais um escape de torcida do coração à torcer pelo Brasil, porque o futebol brasileiro me decepciona.

Resultado, o Brasil volta pra casa eliminado pela Holanda o, Japão inacreditavelmente chega a uma oitava, e vence Espanha.

Ou seja, só porque apostei na Espanha ou porque torci pro Japão me faz menos brasileiro?

Pior que isso é ter que escutar que se você não torce pelo seu time natal você é um vira casaca, mas depois de derrotado o que mais se vê são pessoas dizendo a plenos pulmões que já sabiam, que já era de se esperar mesmo, e que torciam na verdade por algum time clichê que sempre vai bem como Alemanha ou Argentina.

Se eu torcendo pelo Japão sou vira casaca, que nome se dá a pessoas que acham que enganam ou outros, mas enganam a si mesmas com essa historia de que o país é bom enquanto dá vitórias e alegrias ao invés de aceitar seu fracasso e saber quando sair de cena?

Outro ponto também questionado fortemente por amigos meus, é minha preferência ao Japão do que o Brasil em termos culturais ou de estilos.

Bom, vejo que tenho uma forte ferramenta de resposta em minhas mãos e é claro vou usá-la.

Simplesmente prefiro a cultura japonesa porque não faz meu estilo as tradições brasileiras, até porque cada região possui a sua e é um misto e muito diversificada, que abriga todas as etnias , e portanto acho que se fosse pra escolher alguma prefiro que seja aquela a qual me identifico mais , não gosto de capoeira , pronto acabou , tenho que fazer algo que não gosto para estar de acordo com alguma situação ou que satisfaça alguém em específico senão a mim ?

Comidas típicas: moro num país onde feijoada, churrasco gaúcho, feijão tropeiro e tantas outras iguarias tipicamente regionalistas fortemente atuantes no Brasil são de destaque, todas carregadas em tempero e fortes ao paladar, estaria com certeza mentindo ao dizer que não gosto de feijão tropeiro ou churrasco, mas não comeria isso todo dia numa boa né?


Agora, a comida japonesa por mais estranha que pareça a quem não é acostumado, é suave ao paladar e saudável, não sou nutricionista, mas gosto não se discute, e eu prefiro comer aquilo que eu sei que posso repeti-lo sempre que quiser sem morrer de calor ou passar mal por má indigestão , sim eu sei estou tocando em tópicos risíveis e sem fundamentos , mas se aprofundarmos mais um pouco e vermos qual a condição financeira de cada país ou a renda per-capita , ou IDH ou mesmo que seja as campanhas em olimpíadas como em esportes que demonstram o apoio e patrocínio a grandes talentos , vemos que o Brasil tem e pode ser um dos melhores países se quiser , em suas modalidades apresentadas , falta a competência de honrar atletas que fazem de tudo para conseguir as medalhas treinando em condições ridículas e que sonham com o futuro bem sucedido, mas que não têm apoio ou patrocínio , onde a desigualdade reina , onde o desperdício de bens naturais é absurdo e a falta de noção está sempre acompanhando os resultados de um governo falho e com muitos furos e tropeços.


Depois disso nada que eu diga mudará sua opinião de que eu odeio esse país?


Sinceramente não sei, amo o lugar onde nasci e cresci, mas não se pode tapar o sol com a peneira e fechar os olhos para a realidade de que vivemos em um lugar que não tem mais falta de senso porque daria na cara, ou mesmo que você diga para que eu vá para o Japão e não volte nunca mais, ótimo me dê a passagem, irei agora, apesar de amar meu país tenho a consciência de que tudo que é bom estraga ou perde a validade um dia , e enquanto acho que posso conviver sem perdas , excelente! Mas se quer saber mesmo a resposta, pergunte a si mesmo e veja se alguma vez não pensou em xingar algum fato totalmente revoltante em seu país ou reverenciar alguma coisa de outro país que te proporciona satisfação e alegria?


Podemos escolher aquilo que quisermos como ideologia de vida, basta seguir sem prejudicar ninguém, nem ofender porque por mais perfeita que pode ser a realidade vista por você, para outros pode estar podre e cheia de deturpações.
E é isso pessoal , talvez tenha ficdo extenso demais mas tomara que gostem foi feito com mto esforço , vlw!!^^

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Patriotismo

Este será o meu "ultimo" post no Aldult_erados.
PORQUE?
Tempo meus queridos, então resolvi deixar o compromisso com todas as sextas por causa de trabalho e faculdade, e resolvi ser um colaborador não fixo.
Então deixarei aqui um video de um trabalho de geografia sobre o "Porque ser Patriota" Que achei interessante.
Pensem bem pessoal, depois de assistirem esse vídeo.



E não esqueçam de acompanhar o blog pra saberem quando será meus proximos posts.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Patriotismo

Acabei deixando para escrever em cima da hora, e acabou não sendo um dia muito bom para mim...

"Patriotismo não é o despontar de um grande revolucionário, imbuído de grande amor e orgulho, com assento em uma visão messiânica. A atuação “patriótica”, por assim dizer, compreende tudo aquilo que se pode fazer, dentro dos limites e possibilidades de cada qual, pelo bem de sua comunidade. Trabalhos voluntários, filantrópicos, de conscientização de direitos e deveres, de assistência e auxílio aos que mais necessitam são missões patrióticas." (Edson Kiyoshi Nakata Júnior)

Esse trecho resume bem meu ponto de vista sobre o que é patriotismo.
Creio que ser patriota deveria ser encarado desta forma. Independentemente do país que nasci, sou patriota. Não um patriota que quer ver o nome do meu país a frente, em guerras, finanças, estatíscas...
Infelizmente o ser humano é um fracassado orgulhoso em busca de poder. O mundo poderia ser tão melhor se a maioria fosse de bom coração, mas não é.

Queria poder mudar o mundo, juntamente com a minoria que também abre mão do "trono" para que todos possam viver em plena igualdade e felizes. Mas a maioria não ficaria feliz com isto, não querem ser iguais, sim superiores.

Então o que faço eu já que não posso mudar o mundo? Sigo mais uma virtude, a do patriotismo, o verdadeiro patriotismo, que consiste em ajudar minha "nação", minha comunidade. Já que não posso ajudar o mundo de uma vez só, vou ajudando os que posso, que estão mais próximos, meus compatriotas. Também vou ajudando a preservar minha cidade, com um simples ato de jogar o lixo no lixo, e ainda melhor, separando por tipos e ajudando na coleta seletiva. Sabe aquela arvore perto de casa? Se alguém ameaçar cortar, não deixo! Estou ajudando e contribuindo para minha pátria. Estou ajudando o mundo.

Amo meu país sim, assim como também amo todos os outros e os respeito.

O grande problema está em como damos forma as palavras. Se interpretarmos tudo com o coração aberto, com carinho, caridade, igualdade e respeito pelo próximo, acho que tudo seria diferente. Vou ensinar meu filhos a interpretarem pensando no bem, no bem de todos.

Bom, não sei se consegui expressar corretamente o que queria, se minha forma de pensamento vazou e não teve nada ver com o tema, me desculpem,sinceramente, posso ser chamado de louco, mas para mim, o que descrevi é sim patriotismo.
Não vou ler o que escrevi e revisar, só revisei pelo que o firefox grifou como errado mesmo. Como disse, não estou em um dia bom e já passei da minha hora.

Mais uma vez, obrigado pela atenção.


quarta-feira, 14 de julho de 2010

Pátria? Patriotismo?



























Não me odeiem depois desse texto, por favor.
É complicado falar de uma coisa que é indiferente para mim.
Apesar de concordar com o que o Mandag disse, ainda tenho mais algumas coisas a dizer.
Pátria? O que é Pátria?
Pra mim é só mais uma forma que o ser humano encontrou para segregar. Posso estar completamente errada, mas é apenas a minha opinião.
Que outra forma você me explica o preconceito com argentinos? Sim, esse “ódio” por argentinos, para mim, é apenas mais um tipo inútil de preconceito. E o grande preconceito que moradores de países subdesenvolvidos sofrem? Não há como negar que isso acontece.
Por isso para mim é apenas isso, uma forma de segregação.
Não, eu não devo amar a pátria, nem amar a seleção brasileira, ou amar o samba, o carnaval e as festas juninas. Eu nasci no mundo, e essa sim é minha pátria, não um pedaço de terra com fronteiras e um nome qualquer.
Acho interessante a nossa cultura, como também acho interessante a cultura de outros países.
Não acho que o Brasil não tenha bons autores, musicistas e outros tipos de artistas. Aliás, aqui temos ótimo artistas, que devem receber nossa atenção.
Temos Tom Jobim na Bossa Nova, por exemplo, Mutantes, Cazuza e Raul Seixas no rock. E muitos outros artistas excepcionais. O brasileiro tem várias opções, e ótimas opções, a seu dispor.
Na literatura também temos grandes nomes como Clarice Lispector, Machado de Assis, e muitos outros, se eu fosse citar todos ficaria a noite inteira aqui.
Portanto não concordo quando dizem que a nossa cultura é ruim. O que eu na verdade eu concordo é que a cultura que a mídia “vende” é ridícula. Quero dizer com isso que: essa cultura de termos o país do carnaval, samba e futebol é apenas mais uma imagem criada pela mídia.
Falei demais sobre cultura e pouco sobre patriotismo, mas falei tudo isso pra chegar a um ponto. Queria mostrar que temos do que nos orgulhar, mas porque não nos orgulhar pelas belas coisas que outras pessoas de nacionalidades diferentes também fazem? Apenas porque ela nasceu em outro país? O que faz com que nós não nos orgulhamos de um escritor inglês, e porque um estrangeiro não pode se orgulhar de uma obra brasileira? Tudo isso nos é imposto com a idéia de patriotismo.
Eu me orgulho de Cervantes pela bela obra que um dia tive nas mãos, como também me orgulho de Sir Arthur Conan Doyle por ter escrito Sherlock Holmes. E porque não me orgulhar?
Me orgulho também pelas ótimas obras brasileiras, pelas belas canções brasileiras, mas não por serem brasileiras, e sim por serem boas.
Patriotismo é uma palavra que, há um bom tempo, eu exclui do meu dicionário.
Por mais ridícula que seja, é apenas uma opinião.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Patriotismo: chega de auto-piedade.

Procissão do Fogaréu na Cidade de Goiás

Lástima. Depois que escolhi esse tema, planejei pesquisar diversas coisas para escrever aqui com um pouco mais de segurança, mas algo estranho ocorreu na minha república: depois que uma criatura resolveu usar o secador de cabelo às 1h da manhã a internet da casa não funciona mais. Há 4 dias. Sabotagem de um vizinho ensandecido pelo ritual vaidoso de uma das moradoras da minha casa? Culpa dos servidores de internet tão picaretas e precários de nosso país?

Aposto que você pensou na segunda opção quando comecei a reclamar que estava sem internet… Nossos serviços são porcos, as músicas nacionais são ridículas, essa nossa mania de futebol é coisa de país de terceiro mundo, gostar de tanto feriado só mesmo aqui, em um país de terceiro mundo, nossos políticos roubam blá, blá. Canso de ouvir essa ladainha de “somos coitadinhos repugnantes, sem cultura, mal educados, corruptos, superficiais” e não ver ninguém observando o tanto de gente que não se identifica com nada disso. NADA.

Se você acha que patriotismo é sentir orgulho da cultura nacional, te pergunto, quantos da sua roda de amigos gostam das tais músicas que você detesta? Que curtem futebol doentemente? Que lêem só a revista de fofoca? Que acham que novela é a melhor coisa do mundo?

O que você denomina esse tanto de coisa em comum que você tem com seus amigos envolvendo coisas nacionais? Vou numerar pela minha roda de amigos e família, ok?

Livros da Lygia Fagundes Teles;
Poesias da Cora Coralina;
O filme Lavoura Arcaica;
O folclore gaúcho e goiano;
A procissão do fogaréu da Cidade de Goiás;
Tomar Chimarrão;
Comer pão de queijo.

Eu considero esses elementos aspectos da nossa cultura e eles me fazem ter uma identidade com nosso país (sim, considero o hábito de comer um alimento um aspecto cultural). Não são só eles, claro, mas eu só quero demonstrar que temos uma vasta coletânea cultural e que não devemos esquecer disso quando bate aquele sentimento de vergonha alheia por alguma coisa que é caracterizada como brasileira e que não gostamos.

Patriotismo cego, achando que tudo que temos é lindo e maravilhoso é estupidez, claro, não apóio isso. Não apóio nenhuma atitude radical, e isso incluí taxar que TODO MUNDO que gosta de forró, sertanejo e axé é aculturado. Não pô, vai me dizer que você não gosta de nada fútil que te faz relaxar ocasionalmente?

Eu, por exemplo, não curto futebol, mas adoro vôlei. Vou a jogos da seleção brasileira quando tem na minha cidade, torço se tiver passando na tv, grito furiosa com a tela etc. É só um jogo, mas é um jogo que eu joguei quando mais nova e me identifiquei e curto assistir. Fazer o quê, curto. Ok, eu não atrapalho ninguém enquanto assisto (morte as vuvuzelas...), não deixo de trabalhar por causa disso, assim como não escuto nenhuma das minhas músicas favoritas em som alto. Esse tipo de atitude sem noção e pentelha (ou preguiçosa no caso do trabalho) com os outros ao seu redor é comum em qualquer lugar do mundo.

Digo, há pessoas egoístas assim em qualquer lugar do mundo, seja por causa de um jogo de beisebol, um anime, um livro de vampiros febre ou um astro de tv.

Gente chata e coisas que você não se identifica há em qualquer lugar do mundo. E ó, uma surpresa para quem nunca conversou com um gringo: corrupção também. Serviço social porco também. Leis que não funcionam idem...

“Ah, mas só porque eu nasci aqui não significa que eu devo louvar minha pátria”. Sim, é o seu direito achar que nada dessas características que te influenciaram enquanto você cresceu não são dignas de serem elogiadas ou fazer parte de seu orgulho.

Porém, é direito meu, e de outras pessoas, curtir isso. Eu vejo tantas coisas com olhos deslumbrados provavelmente por culpa dos meus familiares. Ouvir alguém que participou da revolução de 30, que se beneficiou dos novos direitos do trabalhador estipulado pelo Vargas, que viu a nova capital crescer, que te fala sobre as metáforas daquela letra da ditadura. Ser levado a uma cidade histórica para ver danças folclóricas e conhecer a comida local... isso tudo faz diferença. Você passa a olhar tudo isso como parte da sua identidade. E olha que musicalmente falando eu me identifico muito mais com o rock inglês (culpa dos meus familiares também) do que com chorinho, mas nunca vou falar que aquela pessoa que prefere sertanejo é pior que o americano que escuta country ou pop. Ninguém é pior ou melhor pela escolha cultural que faz (desde que não incomode ninguém...).

*Não vou entrar no mérito de cultura boa ou ruim, significativa ou fútil, isso vai acabar sendo tema de outra semana e aí vocês podem arregaçar as mangas para me detonar... Tô considerando cultura aqui escolhas e hábitos em comum de uma nação.

O mais engraçado é que algumas pessoas só vêem certas qualidades nossas quando alguém de outro país aponta. A mídia adora fazer isso, né, ela mesma quase não aponta coisas diversificadas do país inteiro (só vai com a onda do momento..), mas quando aparece um jornal estrangeiro falando alguma vantagem nossa, pronto, é tema para dois Fantástico. É preciso ir a Usp ver o tanto de alemão que tem por lá, que batalhou por uma bolsa para conseguir um intercâmbio brasileiro, para se mancar que não estamos tão ruim assim. É preciso ouvi-los elogiando diversas coisas que temos aqui para bater o estranhamento de “nossa, isso não tem no seu país? Como assim?”.


Um exemplo muito bobo que ouvi esses dias foi de uma amiga que mora com uma alemã em São Paulo. Ela comentou que na primeira vez que a menina foi fazer compras rolou uma preocupação já que ela é celíaca e, assim, não pode comer glúten. Na Alemanha ela tem uma lista elaborada por tentativa e erro (e indicação médica) com os produtos que ela pode ou não comer e aqui ela não saberia nem por onde começar, teria que ir a um médico aqui para ver isso, enfim... estava preocupadíssima, até que ela olha o rótulo de um produto qualquer brasileiro e bem grande está escrito: contém glúten. Em outro escrito produto está escrito: não contém glúten. Pronto, a menina começou a falar que aqui é o melhor país do mundo... ok, claro, exagerando, mas quem vê essa pequena observação nas embalagens e valoriza isso? Nossas leis são fracas, nosso sistema judicial não funciona, o governo é uma porcaria, mas ó, temos uma lei de embalagem que um pais taxado como primeiro mundo não tem.

Ah, então só por causa do glúten eu devo ser patriota? Não... não é isso que eu quis dizer, só quis demonstrar que ás vezes precisamos que alguém de fora destaque certas vantagens que temos aqui para nos mancarmos que a situação não é tão ruim assim. Particularmente eu não ligo muito política e situação financeira com patriotismo, eu relaciono o patriotismo ao fato de você se identificar com certos aspectos da cultura nacional e ter orgulho disso. Ponto, é isso eu que considero patriotismo válido, todos esses outros fatores políticos eu vejo como um problema seríssimo de organização e que, infelizmente, é apoiado pela maioria da população por puro comodismo ou falta de escolha.

Bem, para terminar, quero comentar sobre uma coisa que me faz ser patriota mesmo: o som do nosso português. Sou completamente apaixonada pelo som de nossas vogais, nossos L- LH – NH – R – S. Amo a sonoridade e, tá, nossa escrita (ainda mais com o português “novo”) não é a mais prática para nossa fonética (como a língua francesa em que os acentos realmente representam como a pessoa fala...), mas eu amo o português. AMO. (mesmo assassinando-o ocasionalmente como fiz nesse texto).

O post ficou grande de novo e sei que despertei o ódio de muita gente que continuou a ler corajosamente esse texto. Entretanto espero que pelo menos alguns dos leitores reclamões reflitam um pouquinho mais antes de começar o discurso de brasileiro-pobre-coitado cada vez mais comum entre os textos que leio na internet.

Até a próxima semana. Se o serviço instável de internet desse país deixar, é claro...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Patriotismo

Olá caros leitores, a Mavors Green escolheu o tema “Patriotismo” para essa semana.

Primeiramente tenho a má notícia (para mim, é claro) que estou doente, dêem um desconto se o post não ficar bom hehehe, a dor de cabeça e a febre estão me matando, mas vamos ao que interessa.

A Copa acabou, a Espanha foi campeã merecidamente e o polvo virou atração mundial, mas alguns podem querer perguntar: O que isso tem a ver com patriotismo?

Tudo, a Copa do Mundo é o maior evento ao redor desse planeta azul, e é justamente nesse período que a grande maioria lembra em que país mora, e os brasileiros tem orgulho de mostrar isso a todos (salve as exceções), “temos” a melhor Seleção de Futebol do mundo, a mais vitoriosa, a que ergueu mais vezes o caneco, é uma das poucas coisas que os patriotas podem se orgulhar e é o momento que surgem incontáveis “pseudo-patriotas”.

Eles colocam bandeirinha nos carros, pregam adesivos da mesma em diversos lugares, fazem propagandas com o tema em todos os meios de comunicação, querem que o mundo todo veja que eles são brasileiros, nesse momento todos têm orgulho de bater no peito e dizer: Eu sou Brasileiro.

Felizmente eu estou entre as exceções, não tenho muito orgulho da tão idolatrada pátria amada, antes que me julguem entre os “pseudo-patriotas”, aqueles que viram a casaca depois que a Seleção Brasileira saí de campo com a cabeça baixa, eu torci pela Argentina na Copa, e não apenas nessa Copa, sempre torci pelas Seleções da Argentina e Inglaterra, não sei o porquê dessa rivalidade com os argentinos, mas eu não ligo a mínima e não tenho motivo algum para tê-la.

O motivo de eu não ser patriota é simples, esse é um dos países com maior desigualdade social do mundo. Os nossos governantes que teoricamente representam o povo, e que deveriam arrumar isso, não estão ligando muito, contando que eles possam roubar tranquilamente. Os impostos, uma vergonha, o Brasil cobra impostos no nível de países de primeiro mundo, o problema em si não é a quantidade de tributos, mas cadê o retorno? Você o vê em algum lugar? Pelo menos nos países desenvolvidos você vê.

Alguém poderia me dizer por que ser patriota nesse país? Ou por que você é patriota? Por que eu não encontrei um bom motivo, não levo em consideração a questão geográfica, eu poderia ter nascido em qualquer outro país do mundo, dei o azar ou sorte de ter nascido aqui, existem países bem piores e melhores. As belezas naturais? Todo país tem as suas. Por eu poder estar falando isso aqui sem ser preso? É o mínimo que um país decente pode fazer.

Não confundam não ser patriota com não gostar do povo brasileiro. O povo brasileiro é fantástico, as pessoas são receptivas, a grande maioria bondosa até, e é um povo tranqüilo, pacífico, chegando a ser acomodado demais, o que é uma pena, pois é o grande culpado pelo Brasil não ser um país melhor. Apesar de eu não acreditar que os políticos candidatos sejam capazes de mudar completamente essa situação, acredito que eles podem melhorar de pouco em pouco, a Copa se foi pessoal, as eleições estão aí, vamos votar consciente, o Brasil pode mais.

Enquanto essa lastimável situação não é alterada, a foto abaixo resume bem o país.

Por hoje é só pessoal (:

Complementos sobre os impostos:
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/impostos-carga-tributaria/contexto2_g2.html
http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/a-comparacao-das-cargas-tributarias-do-brasil-com-outros-paises/45774/